Desde a sua criação, em 1948, o Met Gala já dava pinta de que não seria apenas mais um baile apinhado de gente famosa. O evento estreou, ainda que rotulado de beneficente, como um retrato brutal das relações entre dinheiro, cultura, poder e desejo.
Criado pela publicitária Eleanor Lambert para arrecadar fundos ao recém-fundado Costume Institute, do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, o jantar nasceu discreto, porém, elitista e estratégico. Naquele momento, a moda estadunidense ainda buscava reconhecimento intelectual diante da hegemonia europeia, onde Paris definia o bom gosto e os Estados Unidos sustentavam o consumo. O baile surgiu, portanto, como uma operação de “legitimidade cultural”.