Em Brasília, ninguém mais pergunta se o ministro Jorge Messias vai para o STF. No mérito, o jogo já está jogado. O governo trata a ida de Messias como praticamente certa. A sabatina? Mansa e com fila organizada no Senado. Só falta um cafezinho estratégico depois do Carnaval entre Lula e Davi Alcolumbre. Os votos estão mapeados, o clima é favorável e o Senado, como se sabe, adora um acordo bem embalado.
Mas como toda boa conversa de alto nível em Brasília, o encontro não deve se limitar a um assunto só. Lula pretende aproveitar o momento para conquistar a cumplicidade de Alcolumbre para um projeto ambicioso: convencer o senador Rodrigo Pacheco a desistir de largar a política, disputar a reeleição para novo mandato no Senado em chapa com Alexandre Kalil (PDT) disputando o governo e composta ainda pelo PT e pelo PSB do presidente da Assembleia Legislativa do estado, Tadeu Leite. Em 2027, o próximo presidente a ser eleito em outubro (ou Lula, reeleito) indicará três novos ministros para o Supremo Tribunal Federal. Uma das vagas será preenchida necessariamente por uma mulher, pois a ministra Cármem Lúcia aposenta-se e é impensável ter o STF com composição exclusivamente masculina como ocorreu até 2000, quando Fernando Henrique Cardoso indicou a ministra Ellen Gracie Northfleet para a Corte. Qualquer uma das outras duas, a de Gilmar Mendes ou a de Luiz Fux, encaixam-se perfeitamente em Pacheco caso ele esteja no Senado.
(Com informações de Cléber Lourenço e Luís Costa Pinto)