A mercantilização do futebol e a crise da Seleção brasileira

Neymar como metonímia do hipercapitalismo

Depois do jogo com a Noruega, quando os refletores se apagavam e os operários do espetáculo começavam a desmontar as estruturas do estádio, o que restava em campo era o retrato acabado do que muita gente veio a chamar de “era”. A palavra “era” apareceu por todos os lados, deixando um ar de certo exagero. Talvez tenha aparecido como efeito da vontade de sentir alguma coisa diante de uma derrota que, na verdade e para a tristeza dos brasileiros, não foi surpreendente.

Como Luiz Antônio Simas, muita gente ficou chateada por não sentir nada demais. É que a sensação que pairava no ar era a de que não havia bem o que sentir. Nem mesmo decepção. É como se todo mundo já soubesse que aconteceria o fracasso porque, na verdade, o fracasso já vinha acontecendo há várias Copas. A “era” sobre a qual se fala não foi assim tão marcante, ela tem o gosto de “já era”, de um passado heroico que deveria se repetir para sempre, como acontece nos mitos, só que não era mais possível.

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