Medo de gravação esvazia reunião de Fachin

Encontro no almoço de terça-feira (24/3), no Supremo Tribunal Federal, foi marcado por ausências e pelo receio de novos vazamentos de áudios com os próprios ministros discutindo temas internos da Corte
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Por Cleber Lourenço

O Supremo Tribunal Federal entrou em estado de alerta — e o motivo não é julgamento, é gravação. A reunião proposta pelo presidente da Corte, Edson Fachin, no horário do almoço da terça-feira, 24 de março, escancarou o tamanho do problema. O encontro, que serviria para alinhar o ambiente interno, acabou esvaziado. Não participaram nem Gilmar Mendes, nem Cristiano Zanin, nem Flávio Dino.

A razão de tantas ausências, nos bastidores, é cravada sem rodeios: ninguém quer correr o risco de falar demais e protagonizar novos áudios vazados. O clima é consequência direta do vazamento de uma reunião interna em que ministros discutiam a possível suspeição de Dias Toffoli no caso Banco Master. Até hoje, não se sabe quem gravou. Esse ponto virou o centro da crise.

No STF, o problema deixou de ser apenas o conteúdo da conversa. Passou a ser a possibilidade de que qualquer conversa possa ser exposta. O efeito é imediato. Ministros passaram a evitar reuniões informais. Almoços, conversas reservadas e articulações fora do plenário deixaram de ser espaços seguros. O que antes era resolvido em encontros discretos agora simplesmente não acontece.

Mas, a desconfiança não paralisou completamente a articulação interna. Apesar do clima, o ministro Fachin manteve conversas individuais com colegas de toga. No início do mês, fez um verdadeiro périplo pelos gabinetes para ouvir percepções sobre o caso Banco Master e sua condução. O movimento ganhou força especialmente após o ministro André Mendonça assumir a relatoria do caso e às vésperas do julgamento sobre a manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro. Ou seja: o diálogo segue — porém, no modo reservado. Quase confidencial.

O problema está nas conversas coletivas. É nelas que as cismas aparecem com mais força. Reuniões em grupo passaram a ser vistas como ambiente de risco, especialmente quando envolvem temas sensíveis ou a presença de Dias Toffoli.

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