A Autoridade Ambiental Brasileira ainda não saiu do papel neste terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque faltou empenho do ex-ministro da Casa Civil (senador eleito pelo PT da Bahia) Rui Costa. Além do corpo mole do baiano, a própria ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, resistia a renunciar ao poder e das algumas das atribuições do Ministério para alavancar a Autoridade Ambiental. Agora, com um quarto mandato batendo à porta do petista e tendo ela sido derrotado na disputa pelo Senado em São Paulo, Marina vê a rápida consolidação do novo órgão de governança como algo natural na conjuntura atual do Palácio do Planalto.
João Paulo Cappobianco, aliado de primeira hora da ex-ministra que a substituiu no cargo durante a campanha, pode ficar na pasta e não reagiria à ascensão da mulher a quem respeita como liderança maior do tema no país ao posto de presidente da Autoridade Ambiental. Miriam Belchior, ministra que substituiu Rui Costa na Casa Civil, aparou as arestas internas à criação da entidade. Por fim, o nome do climatologista Carlos Nobre, único brasileiro a integrar o comitê científico do IPCC (o comitê internacional de acompanhamento de mudanças climáticas da ONU) e conselheiro ambiental do Vaticano, consolidou-se como unanimidade para coordenar o comitê técnico-científico previsto no esboço de criação da Autoridade Ambiental. Marina e Nobre se respeitam mutuamente e têm ótima convivência e convergência de ideias.