Ex-ministro da Saúde do primeiro mandato do presidente Lula, senador há 16 anos e ex-deputado federal e estadual por Pernambuco, Humberto Costa constituiu-se numa das faces do PT nordestino nos últimos 35 anos. Em 2006, não relutou em apoiar Eduardo Campos (PSB) no 2º turno da primeira eleição a governador do maior líder contemporâneo do Partido Socialista Brasileiro. Em 2024, Costa segurou o partido e aceitou a humilhação imposta aos petistas por João Campos, filho de Eduardo, prefeito de Recife e à época candidato à reeleição, que rejeitou um nome do Partido dos Trabalhadores como candidato a vice em sua chapa. Campos queria evitar entregar a Prefeitura, este ano, para um petista, ao se desincompatibilizar a fim de disputar o governo estadual. O objetivo era celebrar uma aliança que lhe possibilitasse reeleição tranquila para o Senado. Porém, a ardor de João Campos para tirar a prima, Marília Arraes (PDT) do palanque adversário, fez o ex-prefeito recifense atravessar o samba e os planos dos petistas, anunciar a chapa com Marília e Humberto sem combinar com o PT e impor dificuldades monumentais ao senador que tenta a reeleição.
Os três cabeças de chapa e também o candidato a vice-governador, irmão do ex-ministro Sílvio Costa Filho, do Republicanos, têm votos exclusivamente na Região Metropolitana do Recife com maior concentração na capital. Raquel Lyra (PSD), adversária de Campos, tem origem política em Caruaru, no Agreste, e fecha uma chapa que contempla todas as regiões do estado. Com isso, Marília Arraes disparou na preferência para o Senado e deixou Humberto Costa embolado na disputa pelo 2º voto dos pernambucanos – pondo a reeleição dele em risco. Ninguém no diretório regional do PT está satisfeito com a equação política traçada por João Campos e todos sentem a ameaça à renovação de mandato do mais tradicional quadro petista em Pernambuco.