Lula e o desafio de governar sem maioria

Há pouco espaço para uma coalizão estável em torno da agenda presidencial

A rejeição pelo Senado da indicação de Lula ao STF não foi apenas uma derrota pontual. Foi a expressão visível de uma alteração na correlação de forças entre Executivo e Legislativo. O Congresso está mais autônomo e ideologicamente distante do Planalto. Isso altera as condições de governabilidade e impõe limites concretos à capacidade presidencial de implementar sua agenda.

O PT tem hoje bancada menor em comparação aos dois primeiros governos de Lula, enquanto o centro de gravidade do Legislativo se deslocou para a direita. Quando assumiu a Presidência, em 2003, Lula contava com 91 deputados do PT na Câmara, 17,7% das cadeiras. Vinte anos depois, ao iniciar seu terceiro mandato, o partido elegeu 68 deputados, 13,3% da Casa. A queda de quase 25% na representação petista não é detalhe estatístico. Expressa transformação estrutural.

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