Tão logo deixou a gestão da carteira bilionária das bets autorizadas a operar no Rio de Janeiro pela Loterj, Hazenclever Lopes Cançado passou a rodar a periferia da capital, a Baixada Fluminense e a região dos lagos em busca de voto para sua pré-candidatura federal pelo PL. Pode ser coincidência, mas o território estabelecido como prioritário é justamente aquele sob controle das milícias que tangenciam a carreira política da família Bolsonaro e também os que têm marcante presença de militares estaduais e federais e de denominações evangélicas neopentecostais. Mesmo para os almejados eleitores evangélicos Hazenclever não esconde seu passado: no material de pré-campanha é sempre descrito como “ex-presidente da Loterj”.
A vida pregressa que Hazenclever Lopes Cançado omite dos eleitores nesse início de trajetória política pessoal é o processo por suspeita de enriquecimento ilícito, de 2006, enfrentado quando trabalhou no gabinete de deputado de Magno Malta (PL-ES). Depois, com Malta já senador e tendo o gabinete chefiado por Hazenclever, o ex-assessor se viu citado nos argumentos elencados na denúncia que pretendeu cassar o chefe. Magno Malta driblou o processo no Senado e preservou o chefe de gabinete ao seu lado até o momento em que Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro recrutaram-no para a rica e desafiadora missão em terras fluminenses.