A visibilidade de candidato a presidente da República pelo PL e a rápida ascensão à condição de principal adversário do presidente Lula, que tenta a reeleição, trouxe o primeiro grande incômodo ao projeto de acúmulo de patrimônio de Flávio Bolsonaro. Uma confortável casa de veraneio com 11 quartos, sendo nove deles suítes, deck que se projeta sobre o mar invadindo uma parte de Mata Atlântica e cascata natural e intermitente que lança água de nascentes por sobre rochas de basalto direto no oceano é o recanto idílico onde fica o pântano negocial e miliciano onde a candidatura do filho 01 de Jair Bolsonaro pode afundar. Há agressões comprovadas ao patrimônio ambiental e fraudes legais que fizeram a briga pela posse do paraíso ser reaberta em pleno ano eleitoral.
Objeto de renhida disputa jurídica desde 2020, quando o jogador de futebol Richarlyson (ex-Seleção, atualmente no Tottenham da Inglaterra) tinha permissão de usufruto da área junto com dois sócios – seu empresário e um deputado estadual de Minas Gerais, Alencar Silveira Jr., agora conselheiro do Tribunal de Contas de Minas – o lote 319 de Ilha Grande mudou de mãos em 2022. Richarlyson e seus sócios no empreendimento espernearam, recorreram, indicaram fraudes e falsificações no curso da transferência cartorial do patrimônio, mas de nada adiantou. Essa realidade vigorou até o fim de janeiro desse ano.
Agora, sob a coordenação de Alencar Silveira, o conselheiro do TCE-MG, o grupo que se sente grilado pela milícia despachada para “o paraíso de Ilha Grande” para despejar os antigos ocupantes da casa de veraneio argumenta a ocorrência de agressão ambiental, degradação de área preservada e falsificação de documentos públicos para reaver a posse do lote 319.
O advogado Willer Thomaz, notório causídico associado a Flávio Bolsonaro e ao “advogado” Frederik Wassef, sempre esteve à frente do processo defendendo os invasores. O candidato do PL à presidência sempre jurou jamais ter ido ao local. A foto publicada junto com essa nota, saída dos arquivos pessoais dos querelantes, mostra o senador de pé no deck tendo a cascata às costas para georreferenciar o flagrante. Numa publicação em seu perfil pessoal no Instagram, de 2025, Flávio saúda as belezas do lugar. Os advogados Eugênio Aragão, último ministro da Justiça de Dilma Rousseff, e Luiz Alfredo Salomão Filho, que é filho do ministro Luiz Salomão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), já estiveram constituídos entre as partes do processo no polo de Willer Thomaz (consequentemente, contrários aos interesses de Richarlyson e a favor dos amigos – ou sócios? – de Flávio Bolsonaro. A exposição foi desgastante para o senador quando o caso eclodiu. Contudo, ele não disputava eleição nenhuma. Agora, terá de encaçapar o ônus de ser disputar a presidência com o lodaçal desse pântano tragando-o para o mar de lama.