Sua excelência Inteligência Artificial, a nova contadora de histórias na literatura

Dona IA sorri com a nossa sede em aparentar ler, mais do que ler de verdade

Então, aconteceu a Bienal do Livro de São Paulo com números superlativos, animadores, demonstradores de possibilidades. Durante dez dias, de 4 a 13 de setembro, 760 mil pessoas circularam no Distrito do Anhembi atrás de livros, autores e editoras. Troca-se Bienal de São Paulo por Festa Literária de Paraty, realizada em julho, e o começo deste texto também conteria um recorde: cerca de 40 mil visitantes, o maior público de sua história. Na verdade, poderíamos trocar os nomes para os de vários outros eventos literários e os números também espantariam, mas há algo subterrâneo: quem conta qual história?

Em tempos de ferramentas de Inteligência Artificial, um passeio rápido pelos corredores da Bienal não deixava dúvida de que a IA chegou com tudo nas capas, ilustrações, banners, logos. Obviamente que nem todos, mas muitos, em um show de mesmos traços, mesmas cores, mesma lógica reconhecível, previsível. Ela avança no conteúdo também e, não é preciso ser um grande especialista, basta ter um olho mais atento para identificar.

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