Vimos nas duas colunas passadas como a difusão cotidiana de livros impressos, graças à invenção de novas técnicas que permitiram tornar o objeto livro acessível pelo barateamento de seu preço, ameaçou a estrutura então dominante do ensino universitário.
O filósofo alemão Johann Fichte esclareceu o vínculo entre difusão de textos impressos e a provável negligência dos futuros alunos: “Após a invenção dos tipos impressos, o objeto livro se tornou bastante comum. (…) A partir de então, não há um único campo científico que não tenha estimulado produção abundante de livros. (…)”.[1] Era necessário, portanto, desenvolver um modelo de universidade capaz de fazer frente à inédita difusão de livros; afinal, um de seus resultados não planejados poderia ser o surgimento de um novo tipo de estudante: “(…) os alunos preguiçosos prevalecerão, pois, tanto tendem a descuidar da aprendizagem oral, quanto da formação letrada. De um lado, faltam às aulas, já que o conteúdo das mesmas se encontra nos livros. De outro, negligenciam a leitura porque podem aprender de oitiva”.[2]