Ainda não arrefeceu a fúria de boa parte da advocacia brasileira com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, em razão da constatação cartesiana do magistrado para quem não se pode falar em corrupção unilateral no Judiciário – apenas de juízes – porque do outro lado do balcão de venda de sentenças nos tribunais brasileiros haveria sempre um advogado (logicamente corruptor, ao menos) envolvido no comércio inusitado. “Não existe venda de sentença sem um advogado comprando”, disse Dino durante a caótica sessão do dia 15 de setembro que estava marcada para a tomada de decisão sobre abertura, ou não, de investigações contra o também ministro Alexandre de Moraes.
No dia seguinte à rinha em que o plenário do STF se converteu, injuriados com o maranhense, sobrenomes ostentados nas portas de todas as grandes bancas de advocacia do país promoveram um arrastão de telefonemas e mensagens de whatsapp para o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti. Nem ele nem seu primeiro vice-presidente, Felipe Sarmento, estavam no Brasil. Nenhum dos dois tinha assistido ao chiste de lógica de Flávio Dino. Coube ao diretor-tesoureiro da OAB, Délio Lins e Silva, articular a nota de repúdio, na qual se lê: “nenhuma generalização é justa ou correta, especialmente quando atinge a esmagadora maioria da advocacia brasileira, que exerce sua profissão com ética, seriedade e compromisso com a Justiça. A afirmação, feita por um ministro do STF durante julgamento acompanhado por todo o país, lança sobre a advocacia uma suspeita genérica e indevida. Eventuais desvios de conduta devem ser apurados e punidos individualmente, sem atingir toda uma categoria profissional indispensável à administração da Justiça.”