Flávio Bolsonaro convoca seu gestor de crise, ex-Globo

Tyndaro Menezes, jornalista que coordenava o núcleo "investigativo" da Rede Globo e foi demitido em 2022 por ter o nome citado em diálogos suspeitos, assume mídia de campanha do PL
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Tyndaro Menezes começa a dar expediente esta semana no núcleo de campanha do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) em Brasília. Jornalista carioca com uma passagem de 30 anos pela Rede Globo, único veículo de imprensa onde trabalhou, tendo escalado uma carreira que foi de office-boy a editor-executivo do núcleo de “jornalismo investigativo”, Menezes foi demitido da emissora da família Marinho em 2022 quando uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro revelaram uma proximidade e uma intimidade potencialmente suspeita entre ele, o enrtão secretário de Administração Fazendária do Rio e o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho.

“Rei Arthur”, como Soares Filho se tornou conhecido, era amigo íntimo do ex-governador fluminense Sérgio Cabral Filho. Dono do grupo Facility, montou durante os mandatos de Cabral e do sucessor, Luiz Fernando Pezão, uma série de empresas que forneciam mão de obra terceirizada para a administração estadual. Chegou a faturar R$ 2 bilhões por ano com contratos públicos no período compreendido entre 2009 e 2015. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o Tribunal de Contas estadual e o Estado Maior da Aeronáutica também contratavam empresas do “Rei Arthur”. Em 2017, Arthur César de Menezes Soares Filho se tornou foragido da Polícia Federal após reiterados pedidos de prisão feitos no âmbito da Operação Calicute.

Em 2022, quando os EUA condenaram o “Rei Arthur” a prisão domiciliar por atuar na compra de votos para a definição do Rio como sede olímpica em 2016 e, no Brasil, os pedidos de prisão dele eram levantados por determinação do TJ fluminense, foram divulgadas gravações de conversas que sugeriam criação de relação empresarial entre o grupo operacional de fraudes do empresário, a Secretaria de Saúde fluminense e o jornalista que agora assume a coordenação de imprensa de Flávio Bolsonaro.

Menezes nunca se tornou formalmente investigado, não teve seus sigilos quebrados e nem respondeu a ações ou inquéritos relacionados ao caso. Porém, por cautela e para manter coerência com suas regras de “compliance”, e também por instinto de preservação da imagem pública, a Rede Globo o demitiu em rito sumário. O profissional integrou o núcleo vencedor do prêmio Emmy de 2017. Fora da emissora, Tyndaro Menezes passou a atuar no ramo de gestão de crise e prevenção de escândalos contra corporações e pessoas físicas. Agora, resgatado pelo PL, assume toda a gestão de contato com a mídia do senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. O clã do ex-presidente, até aqui, jamais observou os critérios de civilidade e transparência no relacionamento com veículos de comunicação. Tyndaro Menezes, por seu lado, deixou alguns poucos amigos na Globo e um rol de ex-companehiros de profissão ressentidos por terem se sentido enganados pela relação paralela que ele mantinha com alguns dos personagens que eram alvo de supostas investigações do núcleo que coordenava.

Assine a Revista Liberta

Tenha acesso ilimitado a todas as edições, com reportagens exclusivas, análises jurídicas e políticas, além de um olhar crítico sobre a história sendo escrita diante dos nossos olhos.

Quero Assinar
Já é assinante? Entrar