Com coragem e competência (e com medo)

Desesperar jamais: é preciso alertar o povão para o que está em jogo
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É hora de mudar as palavras de ordem.

Em vez de “Sem ódio e sem medo”, troquemos o sem medo para com medo.

Em vez de “Sem medo de ser feliz”, mudemos para “Com medo de não ser feliz”.

A coragem não é ausência de medo, ao contrário, é a disposição de enfrentar, e vencer, o medo.

Quem não tem medo não é necessariamente corajoso, pode ser alguém temerário, excessivamente ousado, imprudente diante do perigo.

É hora de dar um passo atrás para dar dois à frente e avançar na campanha com vistas ao decisivo 4 de outubro.

O 4 de outubro de 2026 tem de enterrar de vez o 8 de janeiro de 2023, aniquilar o atentado golpista contra a democracia brasileira.

É preciso alertar o povão do país para o que está em jogo.

Urge mostrar que, ao contrário do que diziam os filhotes da ditadura, as igrejas não foram fechadas no governo Lula.

Não foram abertos banheiros unissex; não houve distribuição de mamadeiras de piroca; o Brasil não virou Venezuela.

Quem quer fazer do Brasil outra Venezuela são os seguidores do fascistóide Donald Trump, que lá interveio e chutou a soberania venezuelana a escanteio, por pior que fosse Nicolás Maduro.

Quem quer fazer vermelha a bandeira nacional, com listras azuis, são os que abrem o estandarte estadunidense em nossas ruas e avenidas.

Quem lê esta Liberta está cansado de saber isso tudo, mas não está necessariamente engajado para espalhar, aos quatro cantos do Brasil, do Monte Caburaí ao Chuí, o que as pessoas precisam ouvir.
Imprescindível alardear nas duas semanas que restam antes do pleito o que será repetir a política econômica de outro governo de extrema direita.

Virar o voto dos incautos

O exemplo está em nossa fronteira, na Argentina do ensandecido Javier Milei.

Congelamento do salário mínimo, volta do desemprego, da fome, privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, como se fez com a Sabesp, com o Metrô etc, e resultou em tarifas mais altas e serviços mais baixos.

Fundamental mostrar aos excluídos recentemente reincluídos a inevitabilidade de nova exclusão, do fim dos direitos que sobraram após o descalabro das gestões do traidor Michel Temer e do psicopata Jair Bolsonaro, aquele que não é coveiro e cuja família enriqueceu pela política mais baixa possível dentro do sistema a ser derrotado.

Sim, fundamental mostrar temor diante da possibilidade de o Brasil virar quintal dos Estados Unidos, de uma vitória aqui dos que serão derrotados lá nas eleições de novembro.

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Javier Milei enfrenta desaceleração da economia na Argentina (Foto: Ilison Sales/Folhapress)

Esclarecer que os desejos da Faria Lima não podem triunfar sobre as necessidades de Paraisópolis e, muito menos, serem os mesmos a ser depositados nas urnas, tamanha a monstruosidade das diferenças.

É fato que as coisas não vão tão bem como gostaríamos.

Que a herança de destruição deixada por Temer$Bolsonaro custou caro e não permitiu a reconstrução completa, embora a caminho com tantos dados positivos e comprovados.

Quem tem consciência política, generosidade para ser solidário com os mais necessitados, tem de ir às ruas e convencer o próximo, virar o voto dos incautos.

Dizer alto em bom som que o futuro dos nossos filhos e netos está em jogo, que não podemos nos curvar a quem faz do genocídio sua arma predileta, como com a covid-19, como na Palestina, como quem fala em paz e só faz a guerra.

Combatamos os usos e costumes dos avestruzes.

Admitamos o nosso medo, façamos dele a motivação para avançar, para superá-lo na direção do Brasil que queremos e que é possível, apesar de todas as dificuldades, como o atual governo tem mostrado.

A crise do STF é grave e precisa ser bem resolvida.

Mas está longe de ser questão nas periferias do Brasil.

Saiamos de nossas bolha para vencer.

Com medo e com coragem. Com competência para virar votos.

Desçamos do salto para evitar o assalto.

Desesperar jamais!

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