É difícil projetar uma visão otimista do processo político brasileiro após a condenação de Bolsonaro. A história política moderna nos ensina que o encarceramento efetivo de líderes populistas raramente elimina os movimentos que representam – pelo contrário, tende a transformá-los em causas permanentes de mobilização e criar mártires políticos duradouros.
A condenação criminal do líder extremista servirá como combustível definitivo para alimentar a fogueira da polarização ideológica. Nem grandes tragédias humanas como o Holocausto ou campanhas imperialistas devastadoras têm a energia necessária para eliminar completamente ideias nefastas. Só o tempo, se muito bem administrado, poderá restaurar o ambiente que os primeiros anos da democracia brasileira proporcionaram. E isso não será para nossos filhos – quiçá para os netos.