Que Arthur Lira (PP-AL) foi artífice central da escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para a vaga de candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro ninguém nega. O próprio ex-presidente da Câmara jactava-se da autoria do estratagema destinado a tirar de sua frente um opositor complexo na busca por uma das duas vagas de senador por Alagoas em 4 outubro. Porém, Lira contava com a vacância de um antagonista forte, além de Renan Calheiros (MDB-AL), na disputa. Na equação política montada por ele durante as tratativas para afastar Gaspar do pleito estadual e alçá-lo à chapa nacional do PL, havia espaço para os dois velhos adversários locais se elegerem com folga. Na undécima hora, contudo, a coligação PSDB-Cidadania inscreveu Marina Candia, ou Marina JHC, mulher do ex-prefeito da capital de Alagoas, João Henrique Caldas, e ex-primeira-dama de Maceió, como candidata ao Senado. Aos 35 anos, idade mínima para ser diplomada senadora caso eleita, a jovem empresária herdeira de um complexo pecuarista em Cuiabá largou em segundo lugar nas pesquisas pré-eleitorais, praticamente empatada com Renan, que é o líder. Arthur Lira se manteve em terceiro e adotou estratégia de desespero: passou a articular uma chapa casada com Calheiros a partir de conversas pragmáticas com diversos prefeitos do interior. Conhecido em Brasília pela habilidade de se livrar das situações mais desconfortáveis do mundo, qual um bagre ensaboado, o ex-presidente da Câmara se vê obrigado a correr atrás das pegadas da ágil onça pantaneira. Marina Candia é tratada pela geração 16-35 anos de Alagoas como uma espécie de herdeira política da carismática Thereza Collor.
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