Uma única denúncia ao 190, justificada com relatos de “manifestações malignas” e “rituais em que se matam animais”, motivou o cerco da Polícia Militar do Amazonas ao terreiro Mina Jejê-Nagô Nossa Senhora da Conceição, em Manaus, em 27 de junho deste ano. A ação mobilizou seis viaturas e resultou na apreensão de três atabaques, dois agogôs e dois agués. No relatório sobre o caso enviado à Justiça, a Polícia Civil tenta justificar a truculência da operação afirmando que os religiosos do terreiro, por já terem sofrido ‘historicamente preconceito’, entenderam a abordagem de forma errada e acabaram gerando uma ação “mais enérgica” da PM.
Eu considero essa justificativa extremamente grave, porque ela inverte completamente a responsabilidade pelos fatos. O Estado não pode utilizar a dor histórica, o racismo estrutural e a vulnerabilidade da população negra como uma espécie de “explicação” para justificar a violência praticada por seus próprios agentes.