E vamos às metáforas futebolísticas tão a gosto do nosso querido Patropi.
Fazem parte da história da arbitragem brasileira nomes como os de José Roberto Wrigth e José de Assis Aragão.
O primeiro, nas décadas de 1980/90, chegou a ser considerado o melhor do mundo e apitou quatro vezes na Copa de 1990, na Itália.
De personalidade forte, alto, bonito, elegante, caiu em desgraça, principalmente com a torcida do Atlético Mineiro e do Bangu, por prejudicar os dois clubes em decisões da Copa Libertadores da América, em 1981, entre o Galo e o Flamengo, e do Campeonato Carioca, em 1985, quando o Fluminense de seu coração sagrou-se tricampeão ao derrotar o time de Moça Bonita.
Os mineiros tiveram cinco jogadores autoritariamente expulsos de campo, o que causou o fim precoce do jogo ainda aos 37 minutos do primeiro tempo.
Os banguenses foram surrupiados de um pênalti no último minuto da partida, porque, segundo alegou Sua Senhoria, tinha virado de costas para o lance prestes a encerrar a finalíssima que o Tricolor venceu por 1 a 0.
José de Assis Aragão também atingiu notoriedade à época, mas apenas pela mediocridade e por ter marcado um gol em clássico entre Palmeiras e Santos, postado que estava junto à trave e tocado na bola, que iria para fora, mas acabou dentro do gol praiano.
À época o assoprador de apito era considerado ponto neutro e, portanto, o gol foi legal.
O brilhante e o apagado
Corta para o Brasil de 2026.
Dois juízes estão na boca do povo e nas manchetes dos jornais: Alexandre de Morais e José Dias Toffoli.
O primeiro, ideologicamente de centro-direita, nomeado para o Supremo Tribunal Federal pelo famigerado Michel Temer.
O segundo, ideologicamente identificado com quem estiver no poder, nomeado por Lula.
Moraes é magistrado com livros publicados, professor da sacrossanta Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo, foi secretário da Segurança da Pauliceia e ministro da Justiça de Temer.
Toffoli era obscuro advogado do Partido dos Trabalhadores, foi reprovado duas vezes em concursos para juiz de primeira instância nos anos 1990 e foi Advogado-Geral da União.
Moraes, indubitavelmente, dono de luz própria.
Toffoli, absolutamente, medíocre.
O brilhante e o apagado jogaram o STF às feras por envolvimento no escândalo do Banco Master, mais uma obra do desgoverno Bolsonaro e estrelado, exclusivamente, por protagonistas da direita e da extrema-direita brasileiras.
Desnecessário, nessas alturas do campeonato, detalhar o que pesa contra eles.
Basta dizer que seus comportamentos irrigam os desejos espúrios de quem busca desmoralizar a mais alta corte do país em mais um golpe contra a nossa jovem democracia.
Nem por podem ser negligenciados. Os efeitos colaterais são perniciosos. Na imprensa, inclusive – e bote inclusive nisso.
O que deveria ser saudável competição na busca dos fatos que iluminem virou guerra de contrainformação, segundo os interesses da maioria dos veículos, felizmente, com as exceções de praxe.
Como vimos na célebre jornada da Vaza Jato, que salvou todos os inocentes e, infelizmente, muitos culpados – mas, principalmente, o Brasil da sanha de justiceiros gananciosos –, hoje vemos biografias de jornalistas serem manchadas ou por forçar a barra contra quem entrou no Credo feito Pilatos, ou por acusar o mensageiro pelas mensagens que não gostariam de ver publicadas.
Virou o famoso Samba do Crioulo Doido, do imortal cronista Sérgio Porto (1923-1968), o genial Stanislaw Ponte Preta.

Como na Vaza Jato, há jornalistas pedindo a prisão de quem noticia o que está sob sigilo de Justiça.
Se, então, os pedidos vinham de jornalistas da extrema direita que impregnavam a Jovem Pan, e de lá saíram para seguir no serviço sujo em veículos vindos do esgoto do distante Oeste, agora há quem, à esquerda, repete as mesmas ladainhas. É lamentável.
E ainda há quem negue que o futebol imita a vida e vice-versa.
Se bons e maus árbitros devem ser afastados quando cometerem erros lesa-futebol, o mesmo critério há que se adotar contra juízes que perpetrarem atos lesa-pátria.
Informação não é de direita nem de esquerda. É simplesmente informação, gostemos ou não dela. Sem o que, o espírito crítico é chutado a escanteio.