Com a devida licença ao poeta da música popular – Belchior, certa vez, bradou: “Nordeste é uma ficção, nordeste nunca houve!” –, estava a ponto de parodiá-lo ao duvidar da existência de uma América Latina livre e independente.
Seria ela pura invenção de mentes românticas e saudosas de uma época em que a voz de Mercedes Sosa costurava à penumbra sonhos de liberdade no toca-discos? Estaria agora essa lembrança fugaz definitivamente sufocada pela ameaça de escudos e cinturões manejados à luz do dia por uma extrema direita cada vez mais presente em todo o continente?