Carta ao Leitor — Darcy Ribeiro, Um Brasileiro

É dele a frase: "A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”

Ao longo do ano de 1999, editei para a revista ISTOÉ uma coleção de fascículos mensais intitulada “Brasileiros do Século”. A cada mês, os leitores escolhiam dez brasileiros de destaque do século que se despedia em diferentes áreas – política, economia, esportes, cultura, educação etc. Na época, embora o mundo já estivesse conectado, a web não era ainda onipresente na vida cotidiana como é hoje. Os votos, em sua maioria esmagadora, chegavam até a redação por carta e eram contados um a um. Sim, havia uma parcela de indicações registradas no site da revista, mas ela não era significativa.

Na categoria Educação, Ciência e Tecnologia, um dos escolhidos foi Darcy Ribeiro. Nascido em Montes Claros (MG), em 1922, ele mudou-se para o Pantanal, aos 24 anos, para trabalhar como antropólogo. Fazia pesquisas de campo junto a grupos indígenas, além de ocupar o posto de etnólogo no antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI). “Eu fiz uma coisa pelos índios, que foi criar o Parque do Xingu {no Mato Grosso}. Mas eles fizeram mais por mim. Eles me deram dignidade, e hoje posso ir a qualquer país do mundo falar de índio”, contou depois.

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