A política brasileira nas asas do PCC

As operações das polícias no Brasil dos últimos dias mostram que entramos em um período de espanto e descoberta

EM OUTUBRO DE 1964, um policial meteu o pé na porta de uma casa na periferia de Marselha e prendeu o químico Joseph Cesari, o mais famoso refinador de heroína da Europa. Havia mais de uma década que um laboratório não era descoberto na cidade que era conhecida como a capital do crime organizado francês. As forças de ordem assistiam à escalada da violência nas ruas passivamente, enquanto parte da França fornecia seus produtos ilegais a diversos países do mundo.

A queda de Cesari não acabou com o tráfico, é claro. Ela apenas abriu as portas para a globalização do crime. O mercado dos Estados Unidos, principal comprador da heroína francesa, demandava cada vez mais, e os gângsteres buscaram saída nos braços seguros dos compadres italianos. Com a queda de Cesari, Marselha se tornara um lugar perigoso para os negócios do crime. A máfia Cosa Nostra, até então uma junção de jagunços interioranos do sul da Europa (“mais próximos da África do que de Deus”), importou os refinadores do lado norte dos Alpes e fez da Sicília o maior laboratório do mundo. A Cosa Nostra tinha, naquele momento, o que nenhuma máfia poderia oferecer: segurança de que tudo seria feito como o planejado, da colheita das papoulas no crescente fértil até as seringas descartadas em alguma sarjeta de Nova York.

Conteúdo para assinantes

Tenha acesso ilimitado a todas as edições, com reportagens exclusivas, análises jurídicas e políticas, além de um olhar crítico sobre a história sendo escrita diante dos nossos olhos.