“A verdade é uma espécie de mentira bem pregada, das que ninguém desconfia”, já dizia a boneca de pano Emília, protagonista das histórias infantis de Monteiro Lobato. Se vivo fosse, o próprio escritor de Taubaté teria provado o gosto amargo da ironia da personagem que criou, quando veio à tona o viés racista de seus enredos, décadas depois de embalar a infância de sucessivas gerações de brasileiros desavisados.
A uma semana da eleição que pode definir o futuro da democracia no país, a frase de Emília soa mais atual do que nunca. Na enxurrada de escândalos sobrepostos, paira a sensação enganosa de que, afinal de contas, é tudo farinha do mesmo saco, o que autoriza a escolha por qualquer opção nas urnas, a gosto do freguês.