Carta ao Leitor — O destino do país em três atos

Passado, presente e uma ameaça de futuro desfilaram diante de nossos olhos no espaço de uma semana

Cena 1: Sábado à noite (12/9): a advogada Fernanda Klitzke é alvejada por tiros de bala de borracha, após ser imobilizada com um “mata-leão” por uma policial militar, em frente à casa onde acontece uma festa de militantes do PT, em Jaguará do Sul, norte de Santa Catarina (ela própria é candidata a uma vaga de suplência no Senado pelo partido). Vizinhos, incomodados com os cânticos pró-Lula que escutavam do lado de fora, haviam chamado a PM para acabar com a festa, o que resultou na abordagem violenta dos agentes policiais.

Flashback: Data imprecisa de 1972: a jornalista Maria Amélia de Almeida Teles, aos 27 anos de idade, é submetida a violências físicas e sexuais praticadas pelo major Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi de São Paulo, nas dependências da Operação Bandeirante (Oban) – centro de repressão da ditadura militar, em São Paulo. Algumas das sessões de tortura são realizadas na frente dos filhos, Janaína, de cinco anos, e Edson Luiz, que tinha quatro. “Mamãe, por que você está azul?”, indaga a filha, ao ver a mãe com o corpo coberto por hematomas.

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