A tática não é nova, mas segue surpreendendo. A utilização de temas e abordagens provocativas, por vezes no limite da arbitrariedade, funciona não apenas como “apito de cachorro” para determinados agrupamentos políticos nas redes, mas também como mecanismo de exploração do engajamento produzido pela revolta de opositores. Esse modus operandi, observado recorrentemente em conteúdos da Brasil Paralelo, aproveita uma dinâmica quase antropofágica das redes sociais: a produtora e o agrupamento ao qual pertence se alimentam de provocações sucessivas para tensionar o debate público e empurrá-lo para a extrema direita.
O novo “produto” anunciado pela produtora parece operar exatamente nessa lógica. Ao distorcer conceitos e mobilizar dados de forma enviesada, a peça retroalimenta o cluster de extrema direita com retóricas palatáveis a esse público e, ao mesmo tempo, provoca a reação de opositores, prolongando a duração das conversações.