Num país marcado por amarga tradição golpista e impunidade, a condenação de Jair Bolsonaro nos desafia a pensar o que muda no Brasil depois do julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal. Ao refletir sobre esse avanço civilizatório, me vem à mente uma lembrança prosaica da infância.
Eu devia ter sete ou oito anos de idade quando minha mãe me levou para assistir à passagem da comitiva do ditador Emílio Médici no centro de Belém, onde morávamos. Lá fomos nós, de bandeirinha verde e amarela nas mãos. A favor de minha mãe, devo esclarecer que ela não apoiava a ditadura. Era apenas uma jovem dona de casa desligada de política, que estava curiosa para ver o comboio presidencial passar.