Só há dois caminhos para o BRB: federalização ou liquidação

Banco Central não recomenda manutenção do Banco Regional de Brasília sob comando do GDF mesmo de capitalização de até R$ 8,8 bilhões for autorizada pela Câmara Legislativa. Ibaneis Rocha já foi abandonado por aliados
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O Banco Regional de Brasília, investigado por gestão fraudulenta e com o caixa em colapso por conta da desastrosa operação de tentativa de compra do Banco Master em 2025 e também por ter transferido 25% de seu capital para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e para o ex-operador financeiro João Carlos Mansur, terá uma 3ª feira, 3 de março, decisiva para seu futuro. A Câmara Legislativa do Distrito Federal votará nesse dia o endosso, ou não, de uma capitalização de até R$ 8,8 bilhões conduzida pelo governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), lastreada em nove terrenos públicos que compõem o patrimônio da administração local.

Mesmo que a capitalização seja autorizada pelos deputados distritais, a operação-salvamento não será capaz de resgatar a instituição estatal da bacia das almas (penadas) do sistema financeiro nacional. O Banco Central e o Ministério da Fazenda não veem condições de o BRB restaurar o equilíbrio patrimonial caso se preserve sob o comando da micropolítica tóxica do Palácio do Buriti (sede do governo de Brasília). No BC, a decisão técnica está tomada e foi comunicada ao governo federal: ou se liquida o BRB, ou se federaliza, colocando-o embaixo da alçada do Banco do Brasil ou da Caixa. O Ministério da Fazenda rechaça o custo político da federalização, pois ela daria à equipe de Lula a responsabilidade de limpar a sujeira e sanar os malfeitos de um Ibaneis Rocha que sempre se portou como adversário do Palácio do Planalto (tendo sido suspeito, até, de colaborar com omissão na dinâmica do golpe de 8 de janeiro de 2023).

Fragilizado pelos erros de gestão cometidos no BRB no curso de seus 7 anos de governo, Ibaneis foi abandonado por ex-aliados políticos da direita e da extrema direita e conta os dias para anunciar formalmente o fim de sua carreira na vida pública. Isso ocorrerá em 3 de abril, quando decidir formalizar a permanência no GDF e a desistência de disputar uma das cadeiras do Senado. A decisão, já tomada, é um golpe na vice-governadora, Celina Leão (PP), que se preparou para ser candidata à reeleição tendo herdado os oito últimos meses de mandato de Ibaneis. É também um contragolpe ao PL, que decidiu lançar chapa puro-sangue ao Senado, com Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis.

 

Assine a Revista Liberta

Tenha acesso ilimitado a todas as edições, com reportagens exclusivas, análises jurídicas e políticas, além de um olhar crítico sobre a história sendo escrita diante dos nossos olhos.

Quero Assinar
Já é assinante? Entrar