Os arquivos da Justiça Federal de Brasília podem desfazer um mistério que perdura desde 1992, quando Fernando Collor de Mello terminou cassado por corrupção pelo Congresso Nacional: a extinta Viação Aérea São Paulo (Vasp), outrora uma das maiores companhias aéreas do país, foi de fato comprada no leilão de privatização (em 1990) pelo empresário Wagner Canhedo com dinheiro repassado pelo ex-tesoureiro da campanha presidencial de Collor, Paulo César Farias (PC).
Há cerca de cinco anos o ex-deputado federal Augusto Farias, irmão de PC, ingressou com uma ação pública na Justiça cobrando a quitação de ao menos uma centena de notas promissórias de R$ 50 mil que não haviam sido pagas pelo empresário. Quebrado, Canhedo parou de resgatar mensalmente as promissórias que devia. O empresário faliu em 2007.
Desde o assassinato de PC Farias, em 23 de junho de 1996, Augusto fazia a cobrança religiosa e mensal da dívida. Havia uma cláusula de confidencialidade no acordo de cobrança por meio de notas promissórias, mas o irmão de PC resolveu quebrá-lo ante o atraso imenso nos pagamentos.
Depois que a ação passou a tramitar, novo acerto judicial secreto entre Canhedo e os Farias foi celebrado. A ação parou de tramitar na Justiça Federal de Brasília mediante reescalonamento dos pagamentos. O processo, contudo, desfez um mistério histórico da política brasileira. A partir dele se tornou possível afirmar que Wagner Canhedo era mesmo um dos testas-de-ferro de Paulo César Farias, como denunciou Pedro Collor (irmão do presidente) na entrevista que iniciou todo o caso em 1992.