Por Amanda Miranda
O filme Virtuosas, em cartaz no Brasil, rodado em Florianópolis e dirigido pela cineasta fixada na cidade, Cíntia Domit Bittar, trata de um retiro de mulheres conservadoras preparadas para cuidar da casa e dos maridos, popularmente conhecidas como “tradwifes”. O roteiro é uma crítica que aposta no terror para apresentar quem são estas mulheres cada vez mais populares no país.
O enredo distópico se cruzou com a realidade das urnas em Santa Catarina, com a votação recorde de três parlamentares antifeministas, que parecem personagens de filme: Caroline de Toni foi eleita senadora com 2.694.918 votos; Julia Zanatta é a deputada federal mais votada da história do Estado com 560.223; e Ana Caroline Campagnolo é a deputada estadual mais votada pela terceira eleição consecutiva, quebrando o seu próprio recorde, com 387.523 mil votos.
Em comum entre elas, está o fato de serem crias da rede social e terem semeado seu campo de ação política a partir das redes, em ondas conservadoras alimentadas pela agenda da guerra cultural do guru da extrema direita, Olavo de Carvalho. Todas foram alunas dele. A pauta antifeminista também é prioritária: Julia e De Toni votaram contra a lei de igualdade salarial. Julia e Campagnolo são negacionistas do feminicídio.
Somados, os votos delas superam os do governador Jorginho Mello, reeleito com mais de 68%, e já dão pistas para o acúmulo de poder com que as “antifeministas” reorganizam seu espaço num ambiente masculino. “Somos as maiores autoridades do nosso partido”, disse Campagnolo a respeito da tríade “virtuosa” que empurrou Santa Catarina para uma realidade quase distópica em 2026.