O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos-MG), corteja um cabo eleitoral de peso para sua segunda tentativa de voltar ao Congresso. Agora, por Minas Gerais. Trata-se do “apóstolo” Valdemiro Santiago, dono da Igreja Mundial do Poder de Deus. Cunha tem sido figurinha carimbada em cultos da denominação em templos mineiros – sobretudo na região do Triângulo, pois quer se basear entre Uberlândia e Uberaba.
O ex-presidente da Câmara, responsável por executar o impeachment sem crime de responsabilidade de Dilma Rousseff, também marcou presença no culto que comemorou o aniversário de 28 anos da denominação de Santiago. Foi colocado na primeira fileira de autoridades, ao lado de figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
A aproximação de Cunha com o “apóstolo” é inusitada, uma vez que o ex-presidente da Câmara irá disputar uma cadeira como deputado federal pelo Republicanos. O partido é controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Valdemiro Santiago foi bispo da Iurd e rompeu com Macedo para fundar a própria igreja.
Durante o auge de seu poder no Congresso, Eduardo Cunha tinha como principais redutos eleitorais as Assembleias de Deus do estado do Rio de Janeiro. A relação entre ele e a Assembleia de Deus, no entanto, esfriou: embora ainda mantenha bom trânsito entre lideranças assembleianas importantes, o ex-deputado chegou a ser vaiado pelos fiéis ao discursar na celebração do centenário do Ministério de Madureira — um dos principais da denominação evangélica no país — em junho de 2024.
(Por Igor Mello )