O tema da dignitas Terrae (dignidade da Terra) é relativamente novo, pois dignidade e direitos eram reservados somente aos seres humanos, portadores de consciência e de inteligência, como afirmava Kant. Predomina ainda uma visão antropocêntrica, no máximo sociocêntrica, como se nós ou a sociedade, exclusivamente, fôssemos portadores de dignidade. Esquecemos que somos parte de um todo maior. Como dizem renomados cosmólogos, como Brian Swimme, se o espírito está em nós, é sinal de que ele estava antes no universo, do qual somos fruto e parte.
Não devemos esquecer que houve uma tradição da mais alta ancestralidade, que sempre entendeu a Terra com a Grande Mãe, Pacha Mama, Nana, uma realidade viva, que devemos, imperiosamente, respeitar e cuidar. As ciências da Terra e da vida vieram posteriormente, pela via empírica, confirmar esta visão. A Terra é, comprovadamente, um superorganismo vivo, Gaia, que se autorregula para ser sempre apta a manter e reproduzir a vida no planeta. Esta compreensão nos veio pelos cientistas, o russo V. Venasky e o inglês James Lovelock.