O Brasil vive uma crise de segurança pública. Nos últimos 10 anos, tivemos mais de 650 mil mortes violentas, das quais 60 mil foram cometidas por agentes do Estado, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Os números apontam também que as vítimas da letalidade policial são as mesmas de sempre: 83% das mortes em decorrência de intervenção policial são de jovens negros pobres das periferias. Fica evidente que, em pleno século XXI, a cultura do “capitão do mato”, herança de um passado de mais de 350 anos de escravidão, ainda se faz presente no país e contamina as instituições policiais. É aquilo que Achille Mbembe chama de necropolítica.