Em 1861, Victor Meirelles apresentou ao público uma tela que, talvez, seja o equivalente da Canção do Exílio nas artes plásticas brasileiras, A Primeira Missa no Brasil. Assim como o poeta compôs uma melodia que se tornou familiar aos ouvidos mesmo dos que nunca leram seus versos, o pintor plasmou uma figuração que faz parte do imaginário nacional, ainda que nunca tenhamos visitado o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, para apreciar sua aura ou tenhamos estudado as inúmeras reproduções de seu quadro. Basta fecharmos os olhos para evocar a cena.
É comum mencionar que Victor Meirelles emulou a tela de Émile Jean-Horace Vernet, A Primeira Missa na Cabília (La Première Messe en Kabilye, 1854), região do norte da Argélia. Mas nem sempre se recorda que Vernet não se preocupou em ocultar o caráter conflituoso do encontro entre culturas: em sua tela, mesmo diante do altar, os soldados conquistadores seguem com as armas em punho; aliás, durante a celebração, as tropas permanecem em prontidão.