A luta pela redução da jornada e a oportunidade de repensar o trabalho

O que está em pauta é o roubo do tempo de vida, tanto pelo número de horas trabalhadas quanto pelo desgaste de intensas jornadas

No Brasil, a discussão em torno da redução da jornada de trabalho ganhou novo fôlego com o Movimento Vida Além do Trabalho – Pelo Fim da Escala 6×1 (VAT). O VAT surgiu em 2023, a partir de um vídeo feito por Ricardo Azevedo, um homem negro gay, nascido no Norte e migrante no Sudeste, à época, balconista em uma farmácia. No vídeo de pouco mais de um minuto, o trabalhador denunciou a exaustão e o isolamento produzidos por uma escala em que se trabalha seis dias na semana com apenas um dia de descanso. A denúncia reuniu a diversidade que compõe a classe trabalhadora ao indicar aquilo que atravessa a todos nós: o roubo do tempo de vida, tanto pelo número de horas trabalhadas, quanto pelo desgaste produzido em intensas jornadas.

O tempo representa aquilo que pode ser feito da vida e, no sistema capitalista, as possibilidades do que fazer da vida são estreitadas para a maioria, para quem o tempo é apossado pelo trabalho (1). A pauta do VAT volta à raiz ao resgatar a exploração como a base do sistema capitalista, na mesma medida em que retoma a imbricação desse sistema com a inércia do colonialismo e da escravização de pessoas, marcas profundas da sociedade brasileira. Ao apontar como o capitalismo se sustenta, não deixou de evidenciar as particularidades das experiências de trabalhadoras e trabalhadores. A denúncia fez lembrar que a luta pela vida além do trabalho pode transformar as nossas relações sociais.

Conteúdo para assinantes

Tenha acesso ilimitado a todas as edições, com reportagens exclusivas, análises jurídicas e políticas, além de um olhar crítico sobre a história sendo escrita diante dos nossos olhos.