A ditadura militar e a empresa da tortura – I

Cinema desmascara retórica de defensores dos anos de chumbo

Nos últimos anos, dois filmes trouxeram para o debate público a questão central na emergência do pesadelo Bolsonaro na história política recente: a memória mal resolvida da ditadura militar é o fermento indispensável para o avanço da extrema direita no Brasil.

Não se trata, contudo, de circunstância fortuita, porém de projeto cuidadosamente articulado pelos militares. Aqui, a releitura da Lei de Anistia de agosto de 1979 se impõe: as Forças Armadas chantagearam a nação de forma nada sutil. Vale dizer, só haveria a possibilidade de principiar um lento e gradual processo de abertura do regime ditatorial se, e somente se, os militares que cometeram crimes jamais respondessem por seus delitos, muitos deles imprescritíveis.

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