A política performática do século 21 encontrou no “ridículo político” não um acidente, mas um método. O que chamo de “ridículo politico” em meu livro Ridículo Politico – Uma Investigação Sobre o Risível, a Manipulação da Imagem e o Esteticamente Correto (Record, 2017) é o uso deliberado do grotesco, do antidecoro, da provocação chula e do absurdo para capturar a atenção pública, colocando as pessoas em estado de estupor e paralisação mental e moral diante de cenas grotescas. A atitude e as falas que provocam também vergonha alheia em cidadãos das mais diversas áreas e setores sociais deixaram de ser uma gafe excepcional para se tornarem uma engrenagem de mobilização de massas.
Muitos políticos de Trump a Bolsonaro – ou de Hitler a Berlusconi, de Javier Milei a Renan Santos – vêm se utilizando dessa tática. A trajetória do deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), o conhecido tenente-coronel Zucco, e sua posição na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul vêm revelando essa dimensão. Há poucos dias, ele usava um adesivo contra Manuela D’Ávila, candidata ao Senado, que nem é sua concorrente direta, justamente para causar efeitos. De fato, a transformação da disputa em palco e o espetáculo da incivilidade da qual esse candidato a governador faz parte mascaram um passivo de contradições morais, apurações criminais e preconceitos estruturais que precisam ser conhecidos.