Impressionar para pressionar é um dos movimentos centrais da arte do lobby político. Willer Tomaz, advogado cujo escritório de advocacia conheceu o auge do prestígio durante os anos de Jair Bolsonaro na presidência da República, já foi considerado um grande artista nesse mister. O auge passou, afinal os melhores amigos do advogado – como os integrantes do clã Bolsonaro, sobretudo Flávio Bolsonaro, senador e candidato à presidência pelo PL – estão deslocados do centro do poder em Brasília. Porém, os ecos dos movimentos de Tomaz, “causar impressão para provocar pressão”, foram lembrados há alguns dias por Valdemar Costa Neto, presidente do partido dos Bolsonaro.
A interlocutores comuns dele e do advogado, Valdemar lembrou de uma conversa para a qual foi chamado pelo advogado. O tema central da reunião era a cobrança de impostos sobre as apostas esportivas na modalidade bet, a necessidade que a Loterj tinha de receber autorização para operar nacionalmente (tempos depois uma decisão do STF cassou essa permissão) e o volume de arrecadação mensal e o lucro da empresa licitada pela estatal Loterias do Rio de Janeiro para administrar as apostas esportivas. Havia uma divergência entre os dois e Tomaz insistia em dizer que os cálculos dele estavam certos. Ao chegar ao escritório do amigo de Flávio Bolsonaro, no Lago Sul, em Brasília, Valdemar Costa Neto cruzou na saída da sala com dois ministros do Superior Tribunal de Justiça. Willer Tomaz ensaiou uma apresentação. Enquanto os magistrados estiveram presentes na sala não se falar em bets nem em Loterj. Entretanto, saindo de lá, o presidente do PL correu atrás de uma pessoa de confiança para dizer que havia “entendido tudo” o que significava o encontro nada casual.