Há um bom tempo, parte da imprensa vinha tapando o sol com a peneira sobre a situação econômica da Argentina. Enquanto economista, Eduardo Moreira se viu impelido a questionar essa “verdade” construída na repetição de slogans e clichês programados para convencer quem está mergulhado no império midiático da desinformação. O documentário “Vai pra Argentina, Carajo!“, dirigido por Juliana Baroni e Fabián Restivo, nasceu desse espírito de questionamento e realizou seu principal objetivo: apontar contradições in loco e, assim, produzir reflexão no tempo dos cérebros sequestrados pela programação ideológica, que é o neoliberalismo.
Antes de seguir falando do filme, é bom lembrar que o espírito do neoliberalismo não é o espírito do capitalismo puro e simples. Enquanto esse último, segundo a teoria de Max Weber, cria os trabalhadores e empresários de que precisa para se perpetuar como sistema, o neoliberalismo exacerba a tática de manutenção do capital, destruindo trabalhadores e até mesmo empresários – pelos menos, os médios e micro empresários, se preciso for. Cada um é transformado em “empresário de si mesmo”, todo mundo é precarizado pelo sistema. O capital se torna cada vez mais abstrato e improdutivo até que desapareça qualquer ética – ou seja, o elemento humano do processo – que poderia interferir em seu dispositivo.