Inteligência Artificial: expressão suprema do paradigma da modernidade

Podemos delegar nosso destino à IA sem renunciarmos à liberdade de fazermos o nosso próprio caminho?

O tom geral da encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, é de modo geral positivo. Chega até a ver a Inteligência Artificial como um instrumento a serviço do ato criador de Deus. Mas dá-se conta dos riscos e ameaças que ela pode representar. Ao largo e ao longo de toda a sua exposição, lança a pergunta fundamental: que imagem de ser humano ela pressupõe e alimenta? Que tipo de sociedade quer construir? Não se trata apenas de verificar se seus efeitos são benéficos ou maléficos. Trata-se de identificar e submeter à crítica seus pressupostos antropológicos e sociais. Se melhoram ou não a condição humana e se introduzam uma maior justiça social em nível planetário.

Eu diria que a IA comparece como a expressão mais alta do paradigma da modernidade. Seus pais fundadores, Descartes, Newton, Copérnico, Francis Bacon e outros, colocaram como valor axial a razão. Mas não qualquer razão. A razão a serviço do poder como dominação de pessoas, classes, países (colonialismo) e. principalmente. da natureza. Famosa é a frase atribuída a Francis Bacon, o fundador do método científico: “Devemos torturar a natureza como o esbirro faz com sua vítima, até arrancar-lhe todos os segredos”.

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