Os atos de 21 de setembro de 2025 simbolizam muito mais do que uma episódica explosão popular de indignação contra a PEC das Prerrogativas; eles se inscrevem na conjuntura como um marco do ciclo de derrotas recentes da extrema direita. A histórica condenação de Bolsonaro e seus aliados pela tentativa de golpe de Estado é o acontecimento mais importante deste ciclo, mas deve ser compreendida não como um evento único, e sim como um desfecho que só foi possível porque uma coalizão multi-atores (estatais e não estatais) garantiu sua sustentação política e social.
A guinada à esquerda do governo federal tem papel decisivo neste processo. Ao assumir uma agenda com maior nitidez programática, principalmente na questão tributária, e desnudar a atuação da maioria do Congresso como tropa de choque dos interesses dos super ricos, Lula retomou a iniciativa política e saiu do “corner”, onde colecionava derrotas e tentativas humilhantes de firmar acordos com o “centrão”.