As mulheres não constituem apenas a maior parte da população brasileira. Elas representam a maioria expressiva do eleitorado, somando cerca de 53% das pessoas aptas a votar no país. Costumamos pensar na força dos votos a partir de uma lógica puramente quantitativa, mas é fundamental perceber como, nesse cenário, a quantidade se converte em qualidade política. O voto feminino consolidou-se na história recente como o principal freio contra o avanço do extremismo ideológico e a linha de frente mais eficaz na defesa dos direitos sociais e das instituições democráticas no Brasil.
Nas eleições presidenciais de 2022, o comportamento do eleitorado feminino foi o fator estatístico e social determinante para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e para a interrupção do projeto de poder de Jair Bolsonaro. Pesquisas de intenção de voto e dados consolidados pós-pleito demonstraram, reiteradamente, que a rejeição das mulheres ao projeto político do então presidente – um modelo de desmonte institucional e abandono social facilmente reconhecível – foi significativamente maior do que a registrada entre os homens.