Canastrões na política

Cenas grotescas causam efeitos de poder e escondem a incompetência política

Em todo o mundo, a ascensão ao poder de figuras autoritárias e, ao mesmo tempo, desqualificadas para cargos de decisão e para a representação do povo, têm espantado muita gente. Análises positivistas que não levam em conta o fator estético, ou seja, teatral e performático de políticos atuando sobre a percepção das massas, têm sido insuficientes para explicar o que está acontecendo.

Em 2018, na condição de escritora perseguida pela extrema direita no Brasil, fui resgatada pela City of Asylum de Henri Reese (o homem que estava ao lado de Salman Rushdie quando ele foi esfaqueado em New York), e acabei indo para os EUA. Por lá, uma questão me era colocada recorrentemente. As pessoas me perguntavam “como os brasileiros foram capazes de votar em Bolsonaro?”, “o que havia acontecido com a cabeça dos brasileiros?”. Eu explicava que o que levou à eleição de Bolsonaro seguia a eleição de Donald Trump que naquela época parecia menos extremista do que no seu atual mandato. Em ambos os casos, as pessoas estavam se deixando seduzir por figuras grotescas e, identificadas com elas, viviam um estranho êxtase.

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