Servidão voluntária 2.0?

Em atualização de Étienne de La Boétie, surge uma nova forma de submissão coletiva

Um fantasma ronda não apenas a Europa, mas todo o mundo: o avanço transnacional da extrema direita, cuja truculência, orgulhosa de sua explicitude, é um desafio à inteligência do contemporâneo. A guerra cultural como método e a desfaçatez como móvel: eis bem a definição sucinta das memórias do subsolo do tempo presente.

O mais inquietante é o método empregado pela extrema direita para chegar ao poder. Não se trata da oratória bélica na língua certeira dos fuzis ou de argumentos intolerantes apoiados por tanques nas ruas. Numa atualização involuntária de Étienne de La Boétie, no universo digital surgiu uma forma nova de submissão coletiva. Ensaio escrito em 1548, quando o autor contava apenas 18 anos, o Discurso Sobre a Servidão Voluntária foi motivado pela derrota política do povo francês, que foi obrigado a aceitar novos impostos, considerados injustos e por isso contestados, porém, sem sucesso.

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