Não houve nenhuma demissão na Globo ligada ao escandaloso caso do powerpoint exibido no ar durante o programa Estúdio i, a GloboNews, com mentiras que estabeleciam um relação inexistente entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e o PT e o presidente Lula. No mesmo ppt, foi ocultada a relação real do ex-controlador do Banco Master com o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e com todo o espectro político de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (responsável por pôr Campos Neto no BC).
A editora que executou a arte segue trabalhando na emissora. Apenas um movimento deve se confirmar nos próximos dias, o deslocamento de um dos editores para outro programa. A mudança já estava prevista, mas foi antecipada. A razão para essa ausência de consequências para o episódio mais grave desde a Operação lava Jato é simples: não dá para demitir subordinados sem cortar a cabeça dos chefes, inclusive jornalistas, que estão acima da cadeia de comando interna da emissora.
Nos últimos dias, a Globo criou um processo de correição interna para descobrir quem passou ao site “TV Pop”, ancorado no portal Uol, primeiro veículo do ecossistema digital a divulgar a notícia, a falsa informação sobre as demissões. As suspeitas recaem sobre uma personagem de amplo reconhecimento público da emissora, que teria agido para tentar passar adiante a responsabilidade pelos erros cometidos naquela tarde fatídica da sexta-feira 20 de março. Até agora, o que ninguém consegue explicar é a razão pela qual tantos jornalistas experientes terem passado 14 minutos discorrendo sobre um infográfico errado, enviesado, sem pedir para que ele fosse retirado do ar para correções. O medo de divergir, vindo de personalidades experientes do jornalismo da rede, é o que vem minando a credibilidade da GloboNews e da Globo na percepção subliminar da audiência e isso assusta a cúpula da empresa da família Marinho.