Consta que, quando Michel Foucault publicou A Palavra e as Coisas (no original, Les Mots et les Chooses: Une Archéologie des Sciences Humaines), em 1966, Jean-Paul Sartre o teria cutucado: estamos diante da “última barricada da burguesia”. Ao que Foucault rebateu: “Pobre burguesia, se precisasse de mim como barricada, já teria perdido o poder!”.
Não que o filósofo que especulou como poucos sobre as estruturas de poder – passando por sexualidade, linguagem, campos do saber e sistemas prisionais – não tivesse, à sua maneira, levantado bandeiras. Pelo contrário, Foucault fundou o Grupo de Informação sobre as Prisões (GIP) para dar voz aos detentos e denunciar as condições deploráveis das prisões francesas. E chegou a visitar o Brasil, em 1976, durante a ditadura militar, para dar uma conferência na Universidade Federal da Bahia, quando criticou o regime dos generais. Por sinal, é dele a frase: