Há franco-atiradores em Brasília e eles se escondem em redações

Aliança de defesa da democracia forjada sobre as ruínas da Praça dos Três Poderes era frágil e já não existe

As cenas de selvageria e boçalidade de hordas de golpistas transtornados, quebrando as sedes dos três poderes da República – o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o edifício principal do Supremo Tribunal Federal –, naquela tarde infame de 8 de janeiro de 2023, deveriam estar gravadas em ouro, prata e bronze nas retinas dos jornalistas brasileiros e de quem lhes paga o salário ou viabiliza o exercício profissional. Não estão. O preço a ser pago por essa rápida desmemória será alto e, estimo, fatal.

Há que lembrar aos que rápido esqueceram os arrancos e coices de Jair Bolsonaro, de todos os seus filhos, dos ministros e ministras dele e de muitos dos amigos do clã que sitiavam a Esplanada dos Ministério para saquearem os programas públicos e pilharem o Tesouro Nacional: desde a primeira hora da camarilha golpista no poder, foram suspensos ou modificados os rituais de transparência e de prestação de contas à população mediados pela imprensa. Vem dessa nobre missão dos jornalistas o substantivo “mídia” usado para designar o coletivo de veículos de comunicação, cujo papel central é mediar a relação entre governos (de quaisquer matizes), Estado e sociedade civil.

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