Carlos Drummond de Andrade sempre soube encontrar poesia nos detalhes. Uma pedra atravessada no meio do caminho converteu-se em revolução modernista. Algo que se carrega consigo, sem que se saiba exatamente o que seja, tornou-se um ensaio metafísico. A divisão ideológica radical da atmosfera política, que antecedeu à Guerra Fria, transformou-se em versos partidos e, por isso, memoráveis. Mesmo a música, digamos, desavergonhadamente comercial, deu origem a um poema surpreendente: