Eu tinha acabado de voltar de Lisboa quando aconteceu mais um episódio de racismo contra Vinícius Júnior. Dois dias antes, eu ainda estava de férias e me acabando no bolinho de bacalhau. Cheguei ao Brasil na sexta-feira de carnaval, animada para desfilar na Camisa Verde e Branco. Mesmo assim, lamentei por não assistir ao jogo no estádio. Havia expectativa, ingresso possível e vontade. Mas hoje, penso diferente: que sorte a minha não ter ido. Me poupei. Poupei meu corpo, meu humor, minha saúde emocional.
Dentro de campo, Vinícius foi novamente insultado. Fora dele, veio o roteiro conhecido: notas oficiais genéricas, investigação protocolar, pedidos de calma, apelos ao “equilíbrio”. A UEFA anunciou a suspensão do jogador adversário – uma punição simbólica, sem qualquer efeito real sobre a engrenagem que permite que o racismo se repita, jogo após jogo.