Nos dias 23 e 24 de fevereiro, datas nas quais o ex-banqueiro Daniel Vorcaro deveria depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que finge apurar as fraudes no INSS e depois sentaria diante do grupo de senadores destacados pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) para acompanhar a liquidação do Banco Master e da operadora REAG DTVM, o senador Davi Alcolumbre estará no foco dos holofotes.
Além de ter posto no fundo da gaveta os relatórios decorrentes da quebra de sigilo telefônico de Vorcaro e de seus sócios e diretores no Master, o presidente do Senado recusou-se até agora a liberar os mapas de acesso das portarias do Senado para que se verificasse quantas vezes Vorcaro entrou no prédio e em quais gabinetes esteve.
A “polícia legislativa”, uma espécie de segurança especial dos senadores formada por servidores do Parlamento, já tem os dados. Entre fevereiro de 2023 e 18 dezembro de 2025, quando seu banco foi liquidado e ele foi preso pelas fraudes ora em apuração, Vorcaro esteve duas dezenas de vezes no prédio do Congresso Nacional.
Com a troca de governo em 1º de janeiro de 2023, ele perdeu as conexões no Poder Executivo. Até então, seus grandes abre-alas na Esplanada dos Ministérios de Jair Bolsonaro eram Ciro Nogueira (Casa Civil), Flávia Arruda (agora Peres, na Articulação Política) e João Roma (Cidadania), além de Roberto Campos Neto (Bano Central). Empossado o governo Lula, Vorcaro deslocou sua sala de despachos e contatos ora para a liderança do PP no Senado, ora para o gabinete pessoal do senador Ciro Nogueira e também para uma das lideranças do União Brasil no prédio. Ao menos eram essas as justificativas que ele usava no credenciamento. Depois de entrar no edifício-sede do Congresso, Vorcaro tomava caminhos próprios para vender seu peixe e operar o lobby político – algo em que se especializou no mundo dos negócios.
Caso o ex-banqueiro dê um looping na decisão anunciada sexta-feira e resolva falar abrindo mão do “vale-caladão” que lhe foi concedido pelo ministro André Mendonça, do STF, Alcolumbre se verá diante de requerimentos dos próprios colegas exigindo a abertura dos dados de acesso do ex-banqueiro ao Senado. Também lhe serão pedidas as imagens do circuito interno do prédio que podem revelar as companhias e conversas de Vorcaro. O presidente do Senado negocia a derrubada sumária de quaisquer pedidos neste sentido. Será em vão.