‘Ministro Tayayá’

Dias Toffoli assistiu, impotente, ao crescimento da dúvida dentro do STF sobre a legitimidade e as condições técnicas que tem para relatar ou mesmo julgar ações egressas do escândalo Master/Reag
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Bebendo na fonte estilística (e estilosa) do jornalista Paulo Henrique Amorim, o nosso colega jornalista Rodrigo Viana, âncora do ICL Urgente e co-âncora do N2, rebatizou o ministro José Antônio Dias Toffoli. A partir das revelações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, passou a chamá-lo de “Ministro Tayayá”. O apelido caiu como uma toga feita sob encomenda no perfil inflado de Toffoli depois que ele mesmo admitiu ser sócio oculto da holding familiar Maridt. A empresa, uma sociedade anônima, recebeu recursos de um fundo de investimentos que tinha como cotista único Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e do advogado dos irmãos Joesley e Wesley Batista (JBS). A Maridt também realizou depósitos na conta do “Ministro Tayayá”. A propósito: “Maridt” é uma corruptela de “Marília”, cidade natal da família Dias Toffoli, e o “D” e o “T” das iniciais dos sobrenomes.

Além do evidente constrangimento ético para toda a Corte Constitucional brasileira, a exposição desairosa do “Ministro Tayayá” causa profundo desconforto nos colegas dele no STF porque também lançam luz sobre a vida privada dos magistrados. Nas mesas dos mais caros restaurantes de Brasília já se ouve com maior frequência piadas sobre a coleção de grappas de um, a de vinho e de charutos de outro e a de milhagens aéreas de um terceiro. Ninguém gosta de tais insinuações e todos sabem onde elas vão parar – daí o incômodo.

Assine a Revista Liberta

Tenha acesso ilimitado a todas as edições, com reportagens exclusivas, análises jurídicas e políticas, além de um olhar crítico sobre a história sendo escrita diante dos nossos olhos.

Quero Assinar
Já é assinante? Entrar