Em 2006, o hoje tenente-brigadeiro-do-ar Carlos Vyuk Aquino era coronel da Força Aérea Brasileira e responsável por chefiar o Cindacta 1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) sediado em Brasília. No trágico 29 de setembro daquele ano, dois dias antes do 1º turno da eleição que reelegeria Lula (o antagonista derrotado por ele foi Geraldo Alckmin, atual vice-presidente), o voo Gol 1907 saiu às 15h35min de Manaus com destino ao Rio de Janeiro e escala em Brasília. Jamais pousou na escala: o Boeing 737 prefixo PR-GTD se chocou com um jato Legacy 600 e caiu. Morreram 154 pessoas. Foi uma das maiores tragédias da aviação brasileira. Os aviões que se chocaram no ar perderam momentaneamente o monitoramento do Cindacta 1, chefiado por Aquino. Minutos antes desse apagão de monitoramento, dois controladores abandonaram suas telas e foram tomar um café. O Gol 1907 voou às cegas; o Legacy 600 também.
Em novo ano em que Lula tentará a reeleição, Carlos Aquino, agora ministro do Superior Tribunal Militar, está encarregado de relatar a necessária perda de patente de um militar que desonrou o Exército, os juramentos que já fez à Constituição brasileira e o processo político nacional ao urdir ao menos três tentativas de golpes de Estado entre 2021 e 2023. É o tenente-brigadeiro-do-ar Carlos Vyuk Aquino quem relata a perda de patente e a consequente “morte ficta” de Jair Bolsonaro para as Forças Armadas.
(Por Fábio Pannunzio)